Me lembro tão pouco daquela manhã, ou do gosto do café
amargo que eu tomei antes de sair de casa.
Por algum motivo não consigo pensar em mais nada a não ser
você passando ao lado em meio à multidão
Em meio a tanto barulho, e por um segundo eu não conseguia ouvir
mais nada
Talvez eu não tenha notado quantas vezes andei pela rua de
fones de ouvido olhando para baixo
De alguma maneira eu sinto que já lhe encontrei tantas vezes
que mal pude entender
O porque não sentir que estou conhecendo uma pessoa nova em
minha vida,
E aqui permanece a sensação de que estou apenas encontrando
uma parte minha
que a muito tempo eu não via.
Fico com a sensação de que de ter lhe encontrado tantas vezes
sem notar.
Quantas vezes você não pode ter passado ao meu lado e não me
dei conta,
Com um olhar sonolento, bocejando talvez, em uma manhã fria
ou quem sabe de sol
Enquanto eu do outro lado, estava preso em meu mundo indo
para algum lugar qualquer
Quantas vezes você por acaso pode ter entrado em meu vagão
no metro
Por ter se atrasado ao sair de casa, por ter que voltar para
pegar as chaves,
ou quem sabe por ficar mais tempo
Em sua casa, não querendo sair mais um dia dela, como todos
os dias.
E quando entrou no metro eu talvez a tenha notado
Mas seria incapaz de conseguir olhar em seus olhos fixamente,
até depois de lhe conhecer ainda mantenho esse receio
Eu de um lado tentando esconder meu olhar, sem me dar conta
de quem você era,
do que iria virar para mim. E você ao lado se escondendo atrás de livros.
É incrível pensar que em um mundo tão grande eu possa ter
encontrado você tantas vezes,
Pelo menos é o que acredito, preciso inventar um porquê de
ter essa sensação de já lhe conhecer
Só espero que dessa vez não desça na próxima estação sem me
dar tchau,
e eu poder lhe ver no dia seguinte. E em todos os dias de minhas vida.
