Entrei dentro de um vagão do metrô, igual a todos os dias
Tudo parecia ser tão igual, foi então que entre um bocejo e outro eu olhei para o lado
e vi uma garota sentada, parecia estar tão perdida quanto eu seus pensamentos.
Quando me dei conta me vi naquela grande situação de trocar olhares e por fim.
acabei encontrando meus olhos dentro dos dela, ela vestia uma camiseta que não posso
lembrar a cor, usava fones de ouvido. E andava com uma placa de não me perturbe.
Não me lembro se foi assim que a conheci, ou se esse foi o primeiro sonho que tive
antes de lhe conhecer, tudo me parece tão real que quando engulo a saliva sinto uma
dor na garganta. A culpa deve ser dessas bebidas baratas, dessa mania de me importar
mais com as folhas que caem do que com o jardim.
E pelos deuses, como eu queria poder-lhe mostrar o meu jardim
Eu não costumava ser assim, na verdade em algum momento eu tinha deixado de ser,
mas você tinha que chegar e fazer das coisas o avesso, se enrolar em meus lençóis
e fazer de meus braços sua casa, seu lar.
Parece que por algum instante naquele metro eu deixei de ver o mundo cinza que eu
costumava ver, e passei a olhar as cores que você queria me mostrar.
