Esfreguei meus olhos da luz, parecia que fazia anos que não saia de casa.
Hoje foi um dos dias em que tive que me forçar a levantar da cama.
Não era a febre que me manteve acordado pensando em tudo que poderia ter feito,
foi a saudade que se apossou de meu corpo.
Parece que estou alimentando um monstro, que vai me consumindo aos poucos
e no fundo, esse monstro sou eu.
Tentei trabalhar, sorri, cantar mais alto que toda essa falta que sinto de você.
Mas de nada adianta, não importa, não vai importar,
se é ao teu lado que eu quero estar.
Minha visão ainda fica turva as vezes e só consigo olhar pra imensidão do nada.
Como se eu pudesse traduzir o que significa o nada,
como se pudesse traduzir tudo o que sinto.
Não consigo tirar da minha mente, os seus passos leves, sua voz rouca.
Estive pensando a maneira como nos vimos a primeira vez.
Lembro que fui o caminho todo tirando os fones para não descer na estação errada.
Eu desci no metro, e por ironia do destino descemos de lados opostos da estação,
 e ficamos a dar voltar,
cada um por um lado da escada, procurando um ao outro pela primeira vez,
então eu a vi. Com seus cabelos pretos e aquela mania que eu
 tanto amo de falar pausadamente
Ela usava uma camiseta azul, óculos e tinha um cheiro forte de tuti-fruti.
Me abraçou como se fosse a última vez.
Quando penso em seus abraços, parece que todos eram abraços de despedida,
mas que sempre me deixavam a sensação de conforto, em poder descansar neles.
Quando acordo parece que ainda consigo sentir o cheiro de seu perfume pelo quarto,
é quando me vejo a  passar meus braços pela cama e não conseguir encontrar nada
Depois entramos no metro e fomos para onde devíamos estar.
Um pouco distantes o caminho inteiro.
Conversando como se fossemos a mesma pessoa, contando segredos a si mesmo.
Fomos em sua faculdade e fiquei olhando a forma como ela sorria, e mexia o cabelo
Talvez tenha sido ali que tudo tenha começado, ou foi ali que tive
certeza de que tudo que eu sentia era verdadeiro.
Sinto saudades das noites mau dormidas.
As brigas e toda a confusão nunca me machucaram tanto quanto
saber que você não vai voltar.
A dor não é não ter você aqui agora, é saber que você não vai
pegar o metro e voltar pra casa.
E que não vai estar aqui, quando eu chegar do trabalho.
Seu cheiro ainda está em mim, tanto quanto você ainda está no meu coração.


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