- Back to Home »
- contos , Crônica , Jorge Serrano »
Minha espada estava em pedaços, parecia que o sol havia sido
engolido pelo oceano.
Olhei para lados e só enxergava pessoas desconhecidas caídas,
com lanças enfiadas em seus corpos, com suas tripas para fora de seus corpos e cortes em suas barrigas,
com lanças enfiadas em seus corpos, com suas tripas para fora de seus corpos e cortes em suas barrigas,
E longe de tudo aquilo pessoas com seus corações quebrados a
espera que eles retornassem.
Mas essa noite o anjo da morte passou por nós,
e talvez não deixe ninguém mais voltar.
e talvez não deixe ninguém mais voltar.
O mar de sangue tocava meus pés e eu tentava sair de lá e
procurar algum
lugar para me encontrar, mas aquele cheiro forte de corpos apodrecendo
só me fazia entender que não podia fugir daquilo.
lugar para me encontrar, mas aquele cheiro forte de corpos apodrecendo
só me fazia entender que não podia fugir daquilo.
E pensar que aqueles que nos colocaram aqui em troca de
salvação,
estivessem festejando com seu vinho, rindo, com suas prostitutas
debaixo de suas batinas.
E que comece a dança dos urubus que oram pela carniça.
estivessem festejando com seu vinho, rindo, com suas prostitutas
debaixo de suas batinas.
E que comece a dança dos urubus que oram pela carniça.
Sempre tem alguém rezando, mas não há ninguém para nos
salvar.
No meio de toda aquela imundice, me apoiei com uma das mãos,
senti uma dor em minha perna, como se ela tivesse sido
arrancada por um leão,
mas conseguir me erguer.
Vi alguém de preto vestindo um capuz de costas para onde eu
estava,
então peguei a espada de um cadáver, caminhei em sua direção,
enfiei a espada em suas costas que deslizava, mas não ouvi
nenhum tipo de grito,
e quando finalmente atravessei
seu corpo, o capuz caiu.
E quando olhei em seu rosto entendi todas as coisas feitas
até agora.
Não era alguém que eu poderia salvar ou ter pena.
A pessoa que vestia o capuz no final de tudo era eu.
