Todos os dias quando abro a janela do quarto, ela está deitada em minha cama.
E quando o vejo o céu lá fora tudo parece tão escuro, mas ela sempre permanece aqui, tentando-me esquentar em noites frias quando você não está.
Ela aparece quando estou vendo filmes tediosos no sofá ou quando vou a cozinha e vejo o seu copo vazio.
É uma sombra que caminha ao meu lado como um lembrança, um pesadelo que me faz gritar todas as noites quando em meus sonhos eu não posso mais tocar-lhe o rosto.
O nome dela é saudade, é o que me faz ser preenchido quando leio algum livro, texto, poesia em que você está.
A Solidão que toma conta de meu corpo, se apossando do que um dia você chamou de amor.
A solidão que faz eu me sentir sozinho no meio de tantas outras pessoas.
A solidão que me faz olhar para a imensidão do nada a procurar você pela janela do ônibus, pela janela do carro, e para qualquer lugar em que você não estaria.
A solidão que rasgue-me a pele de calafrios todas as vezes que acho que ouvi a sua voz, que senti seu cheiro e que senti o seu toque em minha pele.
A solidão que me faz acordar todos os dias e achar que você está ao meu lado no travesseiro.
Está sendo difícil lutar contra ela, e eu estou mais uma vez desistindo de tentar lidar com ela.
Me sinto tão acostumado com ela aqui, que já brindamos juntos enquanto eu lhe contava as coisas que passei ao seu lado, e até mesmo longe de você, longe de mim.
Ela é um dos monstros que eu criei, mas tem-se tornado a minha esperança de ter você ao meu lado um dia.
Poder ter você em meus braços.

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