"Nada melhor do que um lápis bem apontado para começar a escrever." pensei
comigo. Confesso que não consigo escrever (botar pra fora) com uma letra feia e
desajustada, por isso aponto bem você. É como um ritual antes de tentar comprimir
pra dentro da folha minhas angústias. Letra bonita se reflete na minha personalidade
perfeccionista (não que a minha letra seja bonita. Você mais do que ninguém sabe se
é ou não é), além da força que eu coloco sobre você e da quantidade de vezes que te
aponto. Escrevo a lápis, pois só a borracha pode, assim, apagar as palavras que escrevo.
Só ela as apaga para eu poder comprimir, de novo, no papel as minhas tolices. Bom
mesmo seria carregar uma borracha para apagar os erros da vida, as memórias, e, por
que não as pessoas? Fácil, não é?! Tudo ao alcance da minha mão... Por essas e outras
que gosto da combinação lápis e borracha.
Ah se eu pudesse ser mais sincera comigo, meu caro lápis... Talvez eu pare
de mentir para mim, mas não agora, não é a hora (e simplesmente percebo que minha
letra estremeceu. Também, nem você acredita no que eu escrevo!). Eu sei que tivemos
algumas divergências no passado, mas saiba que eu não me importo mais, lápis. Quero
contar com tuas palavras amigas sempre, mesmo que hoje não sejam sinceras. Por favor,
lápis, não deixe que esse vazio entre nós torne a se repetir. Ajude-me a enxergar o que
há de errado comigo.
Marcella Reginato

Postar um comentário