E eu já não podia-me encontrar em meio de tantos rabiscos, eram lembranças cor de cinza que fitavam sobre  meu corpo. Nada. Chorei por não sentir nem a dor do vazio, nem o vazio em si. Eu já não sentia nada, me entupi de comida e de algumas bebidas alcoólicas. Nada. Fumei uns quatro cigarros de uma vez. Nada. Tirei a roupa e deitei no chão gelado, meu corpo arrepiado e contraído. Lagrimas quentes e sem gosto escorriam em rumo aos meus cabelos e eu ainda não sentia o que queria sentir. Tomei alguns remédios que tinham na prateleira, vários de uma só vez. No começo senti meus seios formigarem mas acho que era apenas uma impressão. Eu estava acabada, me olhei no espelho, maquiagem borrada, lábios secos e cortes por todo corpo por ter-me contraído lutando com unhas contra mim mesma. Ele acabava comigo sem nem mesmo fazer nada. Ele era veneno e remédio ele intoxicava e salvava. Só ele me fazia sentir algo, mesmo que fosse dor. Tirava o gosto amargo das noites sem tom, me matava e me trazia de volta a vida. Ele me entorpecia e ia embora. To esperando ele voltar para sentir algo. Enquanto isto me afogo em vinho barato.


Nhadilla Silva

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